Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

Ode oito mil

Colorful is the plantain, we quantify it;
Colorful is the plantain, we despise it.

Colorful is the plantain, we pierce it through someone's neck;
Colorful is the plantain, we meet it with silent reject.

Colorful is the plantain, we toss it onto the ground;
Colorful is the plantain, we kick it without a sound.

(With apologies to whoever it may.)

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 05:13
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Uma história de decadência inerte

Uma vez eu era foda.

Aí todo o mundo ficou mais foda.

Fim da história.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 02:21
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

A Torre de Réaumur, uma espécie de Xanadu quintessencial

Inigualável forte industrioso
Engenho e arte de sutil pujança
Etéreo baluarte majestoso
Veraz sinal de boa aventurança

És tu, frondosa Torre inabalável
Supremo bastião de permanência
Magnânimo construto imperturbável
Suave projeção da sapiência

Certeza inconfundível de vitória
Sublime comoção da vida inteira
Feliz morada, copiosa em glória
Terrível, formidável, derradeira

Pilar do mundo, vigoroso e belo
Arguta geometria poderosa
És tu assim, ó Torre, qual castelo
Perfeita em todo aspecto, valerosa

Assim enunciava o celebrado fragmento da Epopéia de Sigismundo, o Próprio, antigo imperador do Lácio Transacional, reino outrora situado ao norte da Sidartânia. Quinhentos e tantos anos, se não mais, já se haviam passado desde a queda do império; a Torre de Réaumur, todavia, mantinha-se firme onde fora deixada pelos monarcas que em tempos de antanho a erigiram e habitaram. Dizem as velhas tradições que aquele que for capaz de se apoderar da Torre adquirirá maravilhosos poderes de formidáveis proporções, bem como um excelente investimento imobiliário. Todavia, rezam as mesmas tradições que a referida Torre dispõe de uma vontade própria, e aquele que a tentar tomar sem contar com a simpatia da mesma está fadado a terríveis desastres e sofrimentos.

Diz ainda a Mishnah Apócrifa Número 37 que, através do uso cauteloso de encantamentos baseados na tradição oral em torno do culto a Alenderestenankwelissa, deusa sidartaniana das bigornas, protetora das elegantes melenas folclóricas do povo de Ulmarinna, seria possível encantar o espírito da Torre, garantindo assim a aquisição máxima dos poderes da mesma.

Após a queda do império, a região no entorno da Torre foi-se tornando despovoada. Ninguém vivia ou costumava andar num raio de quinze quilômetros da Torre. Ninguém sabia exatamente por quê. A trinta quilômetros dali, os camponeses do pacato vilarejo de Izburro seguiam tranqüilamente sua rotina. Alguns poucos estavam sentindo uma estranha ansiedade. À noite, o xamã, observando atentamente o céu e sentindo o vento em seu rosto, falou quietamente para ninguém em particular: "A Torre de Réaumur está nervosa hoje."

publicado por Anarco-Absolutista às 05:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 17 de Maio de 2014

Uma frivolidade semi-arcaica

(Encontrei o que segue em um caderno velho, enquanto procurava papel de rascunho.)

Uma vez eu era um caderno. E a menina grafava furiosamente os mais ricos dizeres, sob a ortografia de 43. A nova ideologia do rei! O torpe fôlego que move o mundo! Poderia me escrever uma anarquista, mas não. Deita-me caracteres a leve mão de uma democrata. Uff!

Um dia vou ser minha própria caneta. Vou dizer tudo o que eu penso com o mais puro vigor. E ai daquele que tentar me dissuadir, ai dele! Visitar-lhe-á a própria morte.

Sou a corrente que segura a noite. Sou a fria estrela branca. Que é que eu sei dessas coisas? Eu sei da vida. A vida! A própria vida. A vida que traz e que leva, a vida que vem e que vai. Que é que há para saber? E no entanto ela se move.

Espero o ônibus sentado na vida. Se deus é a chama que se acende em partes e se apaga em partes, o ônibus é o antagonista magno do calor, é sua análise. Análise é o contrário da catálise.

Katharevousa. Eles clamitavam o nome do santo. Mal sabiam eles que o santo era um caderno.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 04:42
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Da fulminante e providencial víscera de Ptolomeu, sine qua non

Ditas aquelas palavras de dúbio encorajamento, Evaristo, Ermenegildo e Eratóstenes desceram a verdejante colina em direção ao locus das festividades de equinócio. Desfrutaram em silêncio do banquete e da música por alguns minutos. Subitamente, uma suave e firme voz emanou de trás dos três magos.

"Vossa empreitada é nobre, mas fadada ao fracasso."

Os três viraram-se imediatamente. "O quê?", disse Evaristo.

"O Método", prosseguiu a voz, que pertencia a uma menina. "É uma medida desesperada, altamente falível e pouco eficiente, em circunstâncias normais."

"Quem és?", disse Eratóstenes. "Como sabes o que pretendemos? Como sabes a respeito do Método? És muito jovem para tais conhecimentos.

"Tenho precisamente a idade que preciso ter", replicou a menina. Os sábios, estupefatos e incertos acerca do significado de tal proposição, preferiram não questioná-la.

"E o que queres dizer com 'em circunstâncias normais'?", prosseguiu Evaristo.

"Quero dizer, obviamente, que precisamos criar circunstâncias anormais", respondeu a jovem, com uma expressão de profunda impaciência no rosto.

"'Precisamos'? Que parte tens nisso, ó, magnânimo ente, qual seja o nome pelo qual atendes?"

"A resposta, para mim que se auto-intitula Kira, é não-trivial, e mais facilmente demonstrada em toda sua glória do que descrita pelos pobres vocábulos do linguajar terreno. Vinde e mostrar-vos-ei!", disse a menina, e dirigiu-se para as bordas da citadela sem olhar para trás. Os três sábios a seguiram.

Depois de dez minutos de caminhada, chegaram a uma pequena construção de pedra. A menina abriu a porta e entrou sem qualquer cerimônia. Os sábios a seguiram. Kira entrou em um cômodo auxiliar. "Aguardai", disse. Brevemente, retornou ao salão principal portando uma caixa de pedra gravada com inscrições cuneiformes e pictogramas. "Acho que não se fazem necessárias maiores explicações", disse.

Os três, após um segundo de silêncio ante tamanha surpresa, exclamaram em uníssono: "A víscera de Ptolomeu!"

A menina esboçou um sorriso pela primeira vez desde o princípio da interação. Os sábios, afinal, sabiam alguma coisa.

"Precisamente", disse. Evaristo ergueu a tampa da caixa, e lá estava não outra coisa senão a mui lendária e elegante víscera, em toda sua pompa. Constatando a veracidade da relíquia, Evaristo pôs-se a recitar ciclicamente as antigas sílabas de pujança etérea, as quais Ermenegildo, Eratóstenes e Kira puseram-se a repetir, com um, dois, três versos de atraso, respectivamente:

"Muilarenda hwirkelende
Kaldaresta maigwerende
Skaldaranta nirmenasta
Faldamanda twirkelasta"

Ao final da oitava repetição da poderosa estrofe, a caixa tomou um branco incandescente, ergueu-se no ar, e preencheu a sala em um clarão ofuscante. Os quatro seguiram recitando em um tom mais alto, até que luz e som gradativamente esmaeceram-se, esmaeceram-se, e em uns poucos instantes a sala fez-se perfeitamente escura e silenciosa, e não mais havia nem caixa, nem sábios, nem menina, nem coisa nenhuma.

publicado por Anarco-Absolutista às 01:40
link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Uma pequena verborragia pré-onírica

A fria concepção delgada de seu corpo era um gestalt antropomórfico, um miruvor feérico para a mente e o espírito. Seus agradáveis tons de voz, suaves como um gigantesco fole, delineavam a profunda e irrepreensível configuração cosmológica da própria existência, uma sintetização de tudo aquilo que podia ser expresso pelo cálculo lambda não-tipado. Nenhures se havia de achar silhueta de igual caráter e sinfonia, um alicerce fundacional da semântica axiomática definitiva da qual os homens são sedentos. Uma respeitável e ceruliforme potestade impérvia à vanidade mundana, uma fortaleza de magnitudes impraticáveis, um souvenir de tudo aquilo que poderia ser, revisto e ampliado pelo sangue e pela lágrima. Engenho e arte de súbitas e sutis proporções, intricados padrões interconexos pela vasta gama de sentidos polimórficos. Uma minuciosa combinação de fatores celestiais, cuja prova, auto-evidente, é aqui omitida por brevidade.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 03:36
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
Quinta-feira, 6 de Março de 2014

#9

The couple sat on the top of the hill, illuminated by the shine of the full moon.

"It's hard to talk to you. You never get what I mean right", said the guy.

"I'm sorry", said the girl.

He sighed.

"No, it's not your fault. I guess we've just grown too different across the years. When you came after me, I guess you expected to find a very different person. We parted ways so long ago that I guess your memories of me became foggier and more idealized than reality. Or perhaps I just became shittier with time. You're just starting college and having plenty of cool activities and new experiences; I'm finishing college and am mostly full of it. You're so politically engaged and enthusiastic; I'm a disillusioned anarchist who has lost his faith in mankind's ability to manage itself without government but not his belief that anything else is unacceptable. Most of what I do is uninteresting or unintelligible to anyone outside my specialties. You missed me and came after me; I left you and many others in the past and had no interest in going back."

She remained silent. He kept the silence for a quarter of a minute.

"I'm really sorry", he said. And firming one foot on the ground, he leaped up into the dark sky.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 04:05
link do post | comentar | favorito
Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

Da reação diante da visão por parte daqueles que viram

Trinta quilômetros do ponto de onde a espantosa rocha erguia-se discretamente no firmamento, uma pequena colina servia de assento para três figuras silenciosas de barbas brancas e compridas e vestes escuras e longas. Era o ponto mais alto da Poligônia, um pequeno vilarejo onde todos se distraíam entre as festividades da noite de equinócio, ao som das violas anisomórficas e das vozes das jovens aldeãs. Todos exceto os três, que cuidavam atentamente os astros.

Quase imperceptivelmente, um pequeno ponto claro fez-se vagamente visível na abóbada celeste. Um dos três ergueu-se, para melhor observar.

"É nóis?", proferiu um dos que permaneceram sentados.

"Como é que é?", perguntou o terceiro.

"É ele", afirmou em voz baixa o primeiro, que parecia alheio à realidade terrena. "Tudo o que os anciãos disseram era verdade." Os outros se levantaram. A mancha luminosa permaneceu no céu por um não muito longo instante, e desapareceu.

"E agora?", perguntou o terceiro.

"Agora teremos que partir. E logo, pois é questão de uma ou duas auroras até eles atingirem a Torre de Réaumur."

"E como diabos vamos chegar lá antes deles?", perguntou o segundo. "Vamos levar no mínimo uma semana até lá."

"Não chegaremos primeiro, o que é uma lástima, mas não chega a ser um problema, desde que cheguemos em tempo. E não levaremos uma semana. Não se nós empregarmos o Método."

"O Método?", exclamaram os outros dois.

"Sim, o Método. É difícil e arriscado—"

"Muito arriscado!", exclamou o segundo.

"—, mas não temos coisa melhor. Teremos que consultar os velhos livros e recitar as longas tradições. Vinde! Desfrutemos pelos poucos instantes que temos da noite de equinócio, e apazigüemos nossos ânimos. A noite será longa."

publicado por Anarco-Absolutista às 04:59
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Sábado, 26 de Outubro de 2013

Precisamente desta maneira, mais ou menos

A flor é doce e ferrenha;
Dorme sobre a terra.
Quando foi a minha vez eu fiz errado
Nunca foi minha vez
Toda vez
Nenhuma vez
Em vez
Em vez de nada
Em vez de coisa nenhuma
A cigarra canta
A bateria toca
Os sândalos giram
Os vândalos piram
A verdadeira face
Sempre perdida
– perdida! –
Se mostra, sem pudor
Sem medo
Sem glória
Sem a menor importância
Sob o som do alaúde
– que virtude! –
Sobre o som da amargura
– que paúra! –
Sobre a vida e a morte
Se mostra, e se vai.

É a plantinha miserável
O broto indizível
Irrisório
Invisível
Compulsório
Irascível
Levado pelo berro do lobo
Tragado no consolo do belo
Pensado na cabeça do moço
A fuga de tudo o que é saudável e próprio
O abraço mortal da Catarina
A dança alucinatória da menina
Nada, nada é de propósito
Foi só o acaso do intento
O vento que embala a centelha
Vermelha, contida, perversa
Dispersa, sofrida, finita.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 07:17
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

A análise semântica do último discurso de Jesucristo, o Pagão, segundo a lógica de predicados de terceira ordem, revista e ampliada por Patavino, o Tétrico e Vivaz, Estudante do Caminho e Outros

Muito celebrado na literatura é o último discurso de Jesucristo, o Pagão, filósofo irlandês do século 14. Raramente, entretanto, entram os autores no mérito do significado mais profundo e transsubstancial da obra, que costuma passar desapercebido sob a análise trivializante que é o estudo literário ocidental desde os tempos de Aristóteles e, ousaria dizer, até um pouco antes. Uma vertente alternativa dessa arte exegética, inaugurada por Elêusis, durante o eclipse solar de 232 a.C., viu um breve período de popularidade durante os séculos 2 e 1 a.C., mas subseqüentemente caiu no esquecimento da esfera intelectual greco-romana, em virtude de dois fatores: (1) a ascensão da escola onomástica de Plutarco, o Irrisório, por volta do ano de 33 d.C.; e (2) a inabilidade da formulação original de Elêusis de tratar da questão gnomoclástica, um problema filosófico enunciado pela primeira vez por Euclides de Anticítera. Embora muitos insights de Elêusis tenham sido incorporados pelos luminares do estudo literário posterior, seu sistema, cujo todo possui um valor agregado muito maior do que a soma das partes, foi largamente abandonado.

A análise eleusina, todavia, em muitos casos evidencia uma fina diferenciação semântica entre as diferentes faculdades filológicas ausente em sistemas posteriores, elaborando uma sofisticada rede semantológica capaz de expressar e tornar expressas nuances do significado jamais consideradas por outros autores do meio. Alguns poucos filósofos redescobriram a análise eleusina durante os áureos anos do século 19. Dentre eles destaca-se Patavino, o Tétrico e Vivaz, que, utilizando-se de idéias baseadas nas obras matemático-filosóficas de Russell e de Leibniz, produziu uma reelaboração do velho sistema, tornando-o mais robusto diante de seus problemas analíticos conhecidos. A obra de Patavino infelizmente jamais obteve o reconhecimento de que é certamente meritória, tendo uma influência praticamente nula nas escolas de crítica literária posteriores.

Este artigo possui um propósito duplo. Por um lado, pretende-se analisar e extrair as sutilezas semióticas da celebrada obra de Jesucristo. Por outro lado, visa-se demonstrar na prática o poder generativo e ilocucionário da versão moderna do sistema de Elêusis, exemplificando sua aplicação sobre a mencionada obra.

O discurso

Para fins da presente discussão, cito na íntegra o texto do celebrado discurso de Jesucristo:

Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.

É com tremenda comoção que lhes comunico a ventura a que me encaminho. A verdade última, esta de que tanto falava o doce Mestre Tang-lui de Ping-pong, esta que se manifesta em todos os lugares, esta verdade eu finalmente pude enxergar em sua mais delineada forma. Sim, amigos e amigas, esta verdade é sutil e sublime, maravilhosa e tenra, e ao mesmo tempo imponente como o próprio Firmamento, terrível, implacável e inexaurível. Esta verdade eu vi, e vós haveis de a ver. Intangível qual seja, havereis de agarrá-la, tomá-la nos braços e deleitar-se em seu seio, olhar-lhe nos olhos e compreender sua amplidão. Ouvi-me: não pode ser de outra forma. A gigantesca rocha que nos separa, tal qual o vagalume que, tomando a forma de um leão, despeja sua celeridade por sobre a folhagem da floresta, derrotando a tudo e a todos sem imbalanço de qualquer sorte, é apenas uma ilusão transiente, uma que, por arte de sua palpabilidade, é de mais difícil transposição, e por conta da mesma palpabilidade, é passível de ser escalada e superada. Isso tudo, meus amigos, entretanto, jamais poderá ser realizado no decorrer de uma única encarnação, salvo sob a aquisição de uma rígida conduta moral, digo moral por falta de melhor palavra nos pobres idiomas terrenos, uma rígida conduta composta pela prática indissociável das Três Virtudes, mais claramente expressíveis no copioso idioma sânscrito: Avaddhiparuñaśakaṃvathi; Dharmalakkhāthi Vaṇaruddhitta; Pādamarkthiśataṃbakthiddhirma.

Não posso esperar ser capaz de explicar-lhes tão elevados conceitos em poucas ou mesmo em muitas palavras; meu tempo nesta terra já é curto. Digo-vos: meditai sobre estes termos, mas não vos deixeis perder em meras palavras: dedicai vosso intelecto e espírito com o máximo afinco à compreensão do verdadeiro Significado, e tereis atingido a legítima iluminação transcendente, saciadora de todos os males que afligem o ser humano.

Fui!

Esse discurso, cuja intepretação tem variamente sido dada como uma expressão da transcendência espiritual, como uma ilustração dos princípios neurolingüísticos descritos nas antigas tábuas de argila sumérias, como a expressão sublimada de fantasias sexuais, ou como um grande golpe publicitário, dentre inúmeras outras, apresenta inúmeros problemas para sua total compreensão. Uma dificuldade imediatamente observável é o parco domínio do idioma sânscrito por Jesucristo, motivo pelo qual o significado dos nomes de suas três virtudes tem sido alvo de debate contínuo nos últimos sete séculos, tendo alguns autores inclusive proposto que as palavras não passam de um fruto de glossolalia. Tang-chi, ladrão e filósofo chinês do século 19, propôs que a nulidade semântica dos termos de Jesucristo é um artifício intencional de seu discurso, para o qual o próprio inclusive teria chamado atenção com sua admoestação contra a hipervalorização das palavras. Outros acreditam em uma abordagem analítica reminiscente da cabala judaica, reorganizando e revalorando as letras que compõem os nomes em busca de um significado hermenêutico transcendental.

O método

Sob a ótica da análise eleuto-patavina, o texto, qualquer que seja, deve ser interpretado como uma cadeia de construções sintático-léxicas signíferas. Para tal, uma transformação sublinear T deve ser aplicada ao texto, produzindo uma seqüência de entidades matemáticas passíveis de elaboração posterior por meio do instrumental convencional da teoria dos glifos, introduzida por Ermenegildo em sua obra "A Arte e a Técnica da Consolidação Subglífica", obra fundacional e ainda hoje autoritativa da área.

Como exemplo, consideremos a primeira sentença do texto:

Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.

Esta sentença, popularizada pela posterior paráfrase de Gonçalves Dias, possui uma série de aspectos interessantes revelados pela translocação sublinear. Um primeiro passo na análise da sentença consiste em sua reestruturação em uma forma própria à manipulação lógica. Para isso, utilizando a abordagem delineada por Patavino, reescreveremos:

T[Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.]
= ∃α₁, α₂. α₂∪α₁ ↔ { ε ≅ P(x), ∂(◢) ≠ 0, i±j ≤ -1 }

A estrutura resultante claramente representa um monóide na categoria do discurso teórico. Suas componentes revelam a importância do caractere ponto-e-vírgula na sentença, usualmente ignorada na análise tradicional. Seu valor revela a íntima interação lúdica entre os dois componentes frasais que separa, evidenciando o caráter libertador do discurso de Jesucristo. Uma análise completa da sentença poderia tomar um capítulo inteiro de um livro, mas, para fins de demonstração, bastará a presente análise. Helga Þórbjörnsdóttir, em sua dissertação "A psique anafórica de Jesucristo: uma iteração do algoritmo de Euler sobre a codificação de Gödel do Último Discurso", faz a seguinte observação:

A arte, enquanto representação da vida – e por que não dizer, da morte –, é caracterizada por uma dualidade intrínseca entre a simbolização do ser, visto como uma entidade autônoma, e sua interação com o cosmo, tomando assim uma proporção que excede o discurso convencional imposto pelo tratamento sobrejetivo da composição literária. Destarte, faz-se necessária uma radical reestruturação do referencial conceitual ontológico empregado na teorização aplicada, tomando como base as leis universais irrefutáveis do magnetismo animal.

Uma vez que o magnetismo animal é isomórfico à lógica de predicados de terceira ordem, tem-se que o sistema elaborado por Patavino é uma realização e uma confirmação da fundamentação teórico-ideológica de Helga.

Conclusão

Este artigo demonstra o poder escrutador do método de Elêusis aperfeiçoado por Patavino, evidenciando sua significação morfo-semiológica à luz da fundamentação epistemológica de Helga, revelando uma série de novos insights sobre as razões e motivos por trás do discurso de Jesucristo. A análise do texto, aqui limitada por uma questão de espaço, serve como uma prova de conceito; espera-se com sua apresentação chamar a atenção e incitar a discussão na comunidade filológica a respeito desta maravilhosa técnica, cujos poderes em totalidade ainda estão por ser explorados.

tags:
publicado por Anarco-Absolutista às 14:41
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

.Setembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. Ode oito mil

. Uma história de decadênci...

. A Torre de Réaumur, uma e...

. Uma frivolidade semi-arca...

. Da fulminante e providenc...

. Uma pequena verborragia p...

. #9

. Da reação diante da visão...

. Precisamente desta maneir...

. A análise semântica do úl...

. #5

. Canção fugaz e sem import...

. Da gloriosa e peculiar ap...

. Uma primeira observação

. A Revelação de Míster-Qua...

.arquivos

. Setembro 2017

. Agosto 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Julho 2013

. Agosto 2007

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds