Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

A Revelação de Míster-Quatro-Ferúleo

[Esta história foi escrita a 6 de agosto de 2007 e movida para cá em 15 de setembro de 2013. Está inacabada, e possivelmente assim permanecerá. Porém, ela serve de contexto para ambientar outras histórias que possam vir a ser publicadas por aqui (com o pequeno detalhe de que de lá para cá eu resolvi chamar de Sidartânia o país, e não a capital).]

Acorde inicial

Houve um tempo em que os Mestres do Kung-fu dominavam a região de Katrasena. Nessa época a Svaitzirlândia era um lugar pacífico, cheio de barras de chocolate e rosquinhas de pimenta e gengibre. As pessoas viviam felizes em seus baldes de madeira, e os comerciantes disso se regozijavam.

Um dia o sol nasceu. Quando Jeremias, o Velho, olhou aquela espetacular massa luminosa no céu de Sidartânia, capital da Svaitzirlândia, teve uma iluminação. Obviamente, qualquer um que se puser sob o sol receberá uma iluminação; mas Jeremias não teve uma iluminação qualquer. Ele viu o Grande Espírito de Meng-guo Manifesto, em toda a sua glória. E isto o deixou decepcionado.

Ao chegar em casa, Jeremias encontrou alguns objetos peculiares: uma abóbora tão grande que podia ser vista a olho nu; uma folha contendo um sistema de equações lineares de ordem três; uma garrafa de vinho totalmente deteriorada pela ação do vento; e um patinete. Neste momento, Jeremias ajoelhou-se e exclamou: “Por Fenelakatomesetra! Isto é muito fabuloso!”.

Foi então que surgiu à sua frente a imagem de uma mulher lindíssima, etérea, que lhe disse: “Sim, sim, eu lhes digo... Esta é a verdadeira realização dos princípios do Yin e do Yang. Tu, meu caro, passaste na Sagrada Prova dos Nove Mestres, e assim foste escolhido para a divina missão de instruir o povo terrestre na Suprema Arte da Criação de Forímbolas, para trazer a liberdade, a igualdade e a fraternidade a este mundo, permitindo a realização das forças vesperiais, sem perda de performance.”

Da sublevação mística

Jeremias, o Velho, filho de Anameksa Telemenasta e Meketro Sumetraloksa, Mestre Supremo na Arte da Criação de Forímbolas, foi assim informado de sua missão utópico-mística em seu honorável mundo. Fez uma reverência longitudinal à divindade que à sua frente se encontrava e partiu com um aerólito (diga-se de passagem, o Supremo Aerólito, que será mencionado mais adiante) em suas riquíssimas mãos em direção a Menetromikso, o Louco, Alto Mestre do Kung-fu, iniciado na Quinta Arte Mecano-Austral, protetor das Árvores Estelares, responsável pelos Assuntos Sábios da cidade de Sidartânia.

Após meia hora de caminhada pelas velhas estradas que levavam à Suprema Cúpula Draconiana, Jeremias entrou no referido local, colocou-se em uma posição heróica, e exclamou:

“Ah, Menetromikso, grande sábio das coisas eternas e das mutações, mestre na arte de presenciar elementos, subversor dos velhos paradigmas, realizador dos Eternos Momeraths, tu, que és capaz de manejar os ventos e as estações, e ainda assim não o faz, querede saber dos admiráveis e impressionantes acontecimentos que manifestaram-se ao meu olhar assombrado.”

Menetromikso, o Louco, saiu de o que aparentou ser uma diminuta caixa de temperos. “É uma de suas mais populares características”, pensou Jeremias, enquanto o Mestre do Kung-fu se aproximava.

Menetromikso parou diante de Jeremias, olhou em seus olhos e exclamou: “Ah! Espíritos de Forímbolas... quem tu pensas que és? Não sabes mesmo o que acontece entre a vida e a morte? Um reles potrevar... E acreditas ter o poder de exclamar pílulas... E não quaisquer pílulas... pílulas pequenas! Hmm... Deixa-me ver isto.” E demonstrou querer tocar no aerólito (o Supremo Aerólito, que será explicado mais adiante) que Jeremias portava em suas riquíssimas mãos. Jeremias prontamente entregou-lhe o aerólito (o Supremo Aer... bem, já sabes...) e sentiu como se um Dharma atravessasse seus vinte e quatro diafragmas.

Quando Menetromikso tocou o referido objeto, sentiu um extremo choque térmico, em toda a sua glória, e gritou: “Pelo amor de Setra! Quem é que fez isso?”. Mas Jeremias não estava mais em sua normalidade; havia entrado em um estado de transe, e dizia as velhas palavras de compaixão:

“Ja kirila mekenematsa hu melá...
Patra molomerematsa kirila nometrasá...
Kelemonopitsematsahameritsiamá...
Eteremelakenitsa putermelatsá...”

Foi então que Menetromikso entendeu que, realmente, Jeremias havia recebido dos Grandes Espíritos a suprema missão de instruir a humanidade na Arte da Criação de Forímbolas, trazendo assim a liberdade, a igualdade e a fraternidade a este mundo, permitindo a realização das forças vesperiais, sem perda de performance. Menetromikso refletiu sobre aquilo e decidiu.

O Supremo Aerólito

O aerólito que Jeremias portou ao Grande Mestre do Kung-fu Menetromikso, o Louco, não era um aerólito qualquer, desses que podemos comprar em uma banca de jornais. O referido aerólito trata-se do Supremo Aerólito, protetor das Vacas Celestes, divisor das Águas de Helena, a Soberba, fonte de tudo o que há de mais refrescante. Diz-se que este aerólito foi-nos dado por Fúlster, o Invejável, antes de tornar-se um Alto Espírito Charlatão, no intuito de rejuvenecer toda e qualquer donzela que não se pusesse em lucernas de ouro.

A questão é: como este aerólito (o Supremo Aerólito) foi chegar às mãos de Jeremias, o Iluminado? Bem, isto não cabe a nós discutir. É errado, sabes, intrometer-se na vida particular das pessoas.

A tenda e a fístula de Ketalmopano

Depois de ter compreendido tudo aquilo, Menetromikso voou mentalmente sobre a água e repousou. Isto o deixou com muito sono; por isso, resolveu pegar sua guitarra e manejá-la para produzir a perfeita secessão elementar. Jeremias entendeu muito bem o significado daquilo e foi para sua casa meditar e beber. Iniciaria uma jornada pela iluminação do ser humano, e isto não é uma coisa que se faz todos os dias. Depois de algum tempo, qualquer um perde a prática.

O que nenhum dos dois esperava era a presença de Ketalmopano em pessoa nas redondezas da Suprema Cúpula Draconiana. Ketalmopano, o Póstumo, ria-se em fúria ao ouvir o cântico proferido por Jeremias, enquanto bebia sua famosa infusão de gel em pó. Ele pertencia ao Clã de Minesota, e assim não podia permitir que Jeremias intoxicasse o povo com suas idéias merovíngias. O Clã de Minesota não era muito favorável à liberdade, à igualdade e à fraternidade. E foi assim que Ketalmopano, o Póstumo, filho de Kutrepso Mikenalapa e Maralta Veranoksa, Mantenedor das Cinco Seitas, Blasfemador de Forímbolas, Metrificador das Estrelas e dos Mundos, declarou morte a Jeremias e sua raposa (a Suprema Raposa, que será dita mais tarde).

publicado por Anarco-Absolutista às 00:00
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