Quinta-feira, 3 de Outubro de 2013

A análise semântica do último discurso de Jesucristo, o Pagão, segundo a lógica de predicados de terceira ordem, revista e ampliada por Patavino, o Tétrico e Vivaz, Estudante do Caminho e Outros

Muito celebrado na literatura é o último discurso de Jesucristo, o Pagão, filósofo irlandês do século 14. Raramente, entretanto, entram os autores no mérito do significado mais profundo e transsubstancial da obra, que costuma passar desapercebido sob a análise trivializante que é o estudo literário ocidental desde os tempos de Aristóteles e, ousaria dizer, até um pouco antes. Uma vertente alternativa dessa arte exegética, inaugurada por Elêusis, durante o eclipse solar de 232 a.C., viu um breve período de popularidade durante os séculos 2 e 1 a.C., mas subseqüentemente caiu no esquecimento da esfera intelectual greco-romana, em virtude de dois fatores: (1) a ascensão da escola onomástica de Plutarco, o Irrisório, por volta do ano de 33 d.C.; e (2) a inabilidade da formulação original de Elêusis de tratar da questão gnomoclástica, um problema filosófico enunciado pela primeira vez por Euclides de Anticítera. Embora muitos insights de Elêusis tenham sido incorporados pelos luminares do estudo literário posterior, seu sistema, cujo todo possui um valor agregado muito maior do que a soma das partes, foi largamente abandonado.

A análise eleusina, todavia, em muitos casos evidencia uma fina diferenciação semântica entre as diferentes faculdades filológicas ausente em sistemas posteriores, elaborando uma sofisticada rede semantológica capaz de expressar e tornar expressas nuances do significado jamais consideradas por outros autores do meio. Alguns poucos filósofos redescobriram a análise eleusina durante os áureos anos do século 19. Dentre eles destaca-se Patavino, o Tétrico e Vivaz, que, utilizando-se de idéias baseadas nas obras matemático-filosóficas de Russell e de Leibniz, produziu uma reelaboração do velho sistema, tornando-o mais robusto diante de seus problemas analíticos conhecidos. A obra de Patavino infelizmente jamais obteve o reconhecimento de que é certamente meritória, tendo uma influência praticamente nula nas escolas de crítica literária posteriores.

Este artigo possui um propósito duplo. Por um lado, pretende-se analisar e extrair as sutilezas semióticas da celebrada obra de Jesucristo. Por outro lado, visa-se demonstrar na prática o poder generativo e ilocucionário da versão moderna do sistema de Elêusis, exemplificando sua aplicação sobre a mencionada obra.

O discurso

Para fins da presente discussão, cito na íntegra o texto do celebrado discurso de Jesucristo:

Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.

É com tremenda comoção que lhes comunico a ventura a que me encaminho. A verdade última, esta de que tanto falava o doce Mestre Tang-lui de Ping-pong, esta que se manifesta em todos os lugares, esta verdade eu finalmente pude enxergar em sua mais delineada forma. Sim, amigos e amigas, esta verdade é sutil e sublime, maravilhosa e tenra, e ao mesmo tempo imponente como o próprio Firmamento, terrível, implacável e inexaurível. Esta verdade eu vi, e vós haveis de a ver. Intangível qual seja, havereis de agarrá-la, tomá-la nos braços e deleitar-se em seu seio, olhar-lhe nos olhos e compreender sua amplidão. Ouvi-me: não pode ser de outra forma. A gigantesca rocha que nos separa, tal qual o vagalume que, tomando a forma de um leão, despeja sua celeridade por sobre a folhagem da floresta, derrotando a tudo e a todos sem imbalanço de qualquer sorte, é apenas uma ilusão transiente, uma que, por arte de sua palpabilidade, é de mais difícil transposição, e por conta da mesma palpabilidade, é passível de ser escalada e superada. Isso tudo, meus amigos, entretanto, jamais poderá ser realizado no decorrer de uma única encarnação, salvo sob a aquisição de uma rígida conduta moral, digo moral por falta de melhor palavra nos pobres idiomas terrenos, uma rígida conduta composta pela prática indissociável das Três Virtudes, mais claramente expressíveis no copioso idioma sânscrito: Avaddhiparuñaśakaṃvathi; Dharmalakkhāthi Vaṇaruddhitta; Pādamarkthiśataṃbakthiddhirma.

Não posso esperar ser capaz de explicar-lhes tão elevados conceitos em poucas ou mesmo em muitas palavras; meu tempo nesta terra já é curto. Digo-vos: meditai sobre estes termos, mas não vos deixeis perder em meras palavras: dedicai vosso intelecto e espírito com o máximo afinco à compreensão do verdadeiro Significado, e tereis atingido a legítima iluminação transcendente, saciadora de todos os males que afligem o ser humano.

Fui!

Esse discurso, cuja intepretação tem variamente sido dada como uma expressão da transcendência espiritual, como uma ilustração dos princípios neurolingüísticos descritos nas antigas tábuas de argila sumérias, como a expressão sublimada de fantasias sexuais, ou como um grande golpe publicitário, dentre inúmeras outras, apresenta inúmeros problemas para sua total compreensão. Uma dificuldade imediatamente observável é o parco domínio do idioma sânscrito por Jesucristo, motivo pelo qual o significado dos nomes de suas três virtudes tem sido alvo de debate contínuo nos últimos sete séculos, tendo alguns autores inclusive proposto que as palavras não passam de um fruto de glossolalia. Tang-chi, ladrão e filósofo chinês do século 19, propôs que a nulidade semântica dos termos de Jesucristo é um artifício intencional de seu discurso, para o qual o próprio inclusive teria chamado atenção com sua admoestação contra a hipervalorização das palavras. Outros acreditam em uma abordagem analítica reminiscente da cabala judaica, reorganizando e revalorando as letras que compõem os nomes em busca de um significado hermenêutico transcendental.

O método

Sob a ótica da análise eleuto-patavina, o texto, qualquer que seja, deve ser interpretado como uma cadeia de construções sintático-léxicas signíferas. Para tal, uma transformação sublinear T deve ser aplicada ao texto, produzindo uma seqüência de entidades matemáticas passíveis de elaboração posterior por meio do instrumental convencional da teoria dos glifos, introduzida por Ermenegildo em sua obra "A Arte e a Técnica da Consolidação Subglífica", obra fundacional e ainda hoje autoritativa da área.

Como exemplo, consideremos a primeira sentença do texto:

Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.

Esta sentença, popularizada pela posterior paráfrase de Gonçalves Dias, possui uma série de aspectos interessantes revelados pela translocação sublinear. Um primeiro passo na análise da sentença consiste em sua reestruturação em uma forma própria à manipulação lógica. Para isso, utilizando a abordagem delineada por Patavino, reescreveremos:

T[Compadres, ouvi-me; ouvi meu cantar.]
= ∃α₁, α₂. α₂∪α₁ ↔ { ε ≅ P(x), ∂(◢) ≠ 0, i±j ≤ -1 }

A estrutura resultante claramente representa um monóide na categoria do discurso teórico. Suas componentes revelam a importância do caractere ponto-e-vírgula na sentença, usualmente ignorada na análise tradicional. Seu valor revela a íntima interação lúdica entre os dois componentes frasais que separa, evidenciando o caráter libertador do discurso de Jesucristo. Uma análise completa da sentença poderia tomar um capítulo inteiro de um livro, mas, para fins de demonstração, bastará a presente análise. Helga Þórbjörnsdóttir, em sua dissertação "A psique anafórica de Jesucristo: uma iteração do algoritmo de Euler sobre a codificação de Gödel do Último Discurso", faz a seguinte observação:

A arte, enquanto representação da vida – e por que não dizer, da morte –, é caracterizada por uma dualidade intrínseca entre a simbolização do ser, visto como uma entidade autônoma, e sua interação com o cosmo, tomando assim uma proporção que excede o discurso convencional imposto pelo tratamento sobrejetivo da composição literária. Destarte, faz-se necessária uma radical reestruturação do referencial conceitual ontológico empregado na teorização aplicada, tomando como base as leis universais irrefutáveis do magnetismo animal.

Uma vez que o magnetismo animal é isomórfico à lógica de predicados de terceira ordem, tem-se que o sistema elaborado por Patavino é uma realização e uma confirmação da fundamentação teórico-ideológica de Helga.

Conclusão

Este artigo demonstra o poder escrutador do método de Elêusis aperfeiçoado por Patavino, evidenciando sua significação morfo-semiológica à luz da fundamentação epistemológica de Helga, revelando uma série de novos insights sobre as razões e motivos por trás do discurso de Jesucristo. A análise do texto, aqui limitada por uma questão de espaço, serve como uma prova de conceito; espera-se com sua apresentação chamar a atenção e incitar a discussão na comunidade filológica a respeito desta maravilhosa técnica, cujos poderes em totalidade ainda estão por ser explorados.

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publicado por Anarco-Absolutista às 14:41
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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2013

#5

"Treze", respondeu ela, telegraficamente.

Era tudo o que ele precisava ouvir. Mas quem era ele?

Ele, turns out, não era ninguém. Ela sabia que ele não era ninguém. Mas respondeu mesmo assim. Sentada sob a sombra do umbu, já irrelevante àquela hora da tarde, Aniksa contemplava a beleza do bosque que era os fundos de sua casa. Observava, meio atenta, meio difusa, a estrutura recursiva das pequenas flores amarelas ao seu redor, as abelhas que coletavam o pólen em seu algoritmo metódico e infalível. Era bonito, mas ao mesmo tempo a realização da magnitude, da propositalidade de tudo aquilo deixava-a com calafrios.

Ficou ali por um bom tempo. Aquele que não era ninguém sentou-se ao seu lado. Ela deu-lhe a mão, trocando com ele infinitas cadeias de símbolos não proferidos. Era tudo o que ela precisava ouvir. Era? Era, ela tentava se convencer. Mas não era. Alguma coisa faltava, e ela se iludia de que ignorava o que quer que fosse, por mais que, reprimida sob toda aquela racionalização e esquematização de todas as coisas, lá estivesse agudamente evidente a fonte de sua angústia.

A lua, brilhando palidamente no alto do céu, lhe dizia que era hora de se preocupar com outras coisas.

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publicado por Anarco-Absolutista às 07:00
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Domingo, 15 de Setembro de 2013

Canção fugaz e sem importância

O dinheiro é loquaz e pressupõe a ganância.
O amor é falaz e pressupõe a constância.
A atitude é tenaz e pressupõe a jactância.
A vitória é mordaz e pressupõe a ambulância.

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Quinta-feira, 12 de Setembro de 2013

Da gloriosa e peculiar aparição do homem

"Parece que minhas bochechas vão cair", disse Péricles, enquanto arrumava a mochila. A tarde estava ensolarada e o prenúncio da tempestade era evidente. "Maria! Vem cá me ajudar", disse ele. Maria saiu correndo de dentro da caverna, tomando o bastão e a foice na mão, sem sequer lançar-lhes os olhos. Era primavera. Seus cabelos voavam no vento, exalando o mais rico dos aromas, enquanto ela se dirigia ao ponto em que se encontrava a única árvore visível num raio de muitas léguas, onde Péricles a esperava.

"Acho que já é tarde", disse ela, ao chegar ao ponto de encontro. "Não vejo uma única gaivota por aqui."

"É verdade", respondeu Péricles, "mas nada pode ser feito." Colocou-se em uma postura rebelde e recitou um antigo hino sidartaniano:

"A quinta essência nunca vi
Nem tenho mais que vê-la;
Mas nunca morre o guarani
Sentado sobre a estrela."

A noite começava a pôr-se manifesta, e os lobos cantarolavam melodias de perdição. A referida estrela já se fazia visível no firmamento, tomando proporções assombrosas e formas inambíguas: era o severo lume interplanar. Descendia ele do céu, e sobre ele, tal como prenunciado, estava não outro senão o guarani, Ubirajara, o Místico. O temor e o entusiasmo tomaram o homem e a mulher, que observavam atentamente a translocação do objeto voador. "Subide, comparsas!", exclamou o passageiro, e de chofre estavam a seu pé os dois terráqueos. "A noite é longa, mas o dia é mais ainda."

E assim partiram, sem qualquer alarde.

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Sexta-feira, 12 de Julho de 2013

Uma primeira observação

Ao que tudo indica, este blog existe.

Ou não?

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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007

A Revelação de Míster-Quatro-Ferúleo

[Esta história foi escrita a 6 de agosto de 2007 e movida para cá em 15 de setembro de 2013. Está inacabada, e possivelmente assim permanecerá. Porém, ela serve de contexto para ambientar outras histórias que possam vir a ser publicadas por aqui (com o pequeno detalhe de que de lá para cá eu resolvi chamar de Sidartânia o país, e não a capital).]

Acorde inicial

Houve um tempo em que os Mestres do Kung-fu dominavam a região de Katrasena. Nessa época a Svaitzirlândia era um lugar pacífico, cheio de barras de chocolate e rosquinhas de pimenta e gengibre. As pessoas viviam felizes em seus baldes de madeira, e os comerciantes disso se regozijavam.

Um dia o sol nasceu. Quando Jeremias, o Velho, olhou aquela espetacular massa luminosa no céu de Sidartânia, capital da Svaitzirlândia, teve uma iluminação. Obviamente, qualquer um que se puser sob o sol receberá uma iluminação; mas Jeremias não teve uma iluminação qualquer. Ele viu o Grande Espírito de Meng-guo Manifesto, em toda a sua glória. E isto o deixou decepcionado.

Ao chegar em casa, Jeremias encontrou alguns objetos peculiares: uma abóbora tão grande que podia ser vista a olho nu; uma folha contendo um sistema de equações lineares de ordem três; uma garrafa de vinho totalmente deteriorada pela ação do vento; e um patinete. Neste momento, Jeremias ajoelhou-se e exclamou: “Por Fenelakatomesetra! Isto é muito fabuloso!”.

Foi então que surgiu à sua frente a imagem de uma mulher lindíssima, etérea, que lhe disse: “Sim, sim, eu lhes digo... Esta é a verdadeira realização dos princípios do Yin e do Yang. Tu, meu caro, passaste na Sagrada Prova dos Nove Mestres, e assim foste escolhido para a divina missão de instruir o povo terrestre na Suprema Arte da Criação de Forímbolas, para trazer a liberdade, a igualdade e a fraternidade a este mundo, permitindo a realização das forças vesperiais, sem perda de performance.”

Da sublevação mística

Jeremias, o Velho, filho de Anameksa Telemenasta e Meketro Sumetraloksa, Mestre Supremo na Arte da Criação de Forímbolas, foi assim informado de sua missão utópico-mística em seu honorável mundo. Fez uma reverência longitudinal à divindade que à sua frente se encontrava e partiu com um aerólito (diga-se de passagem, o Supremo Aerólito, que será mencionado mais adiante) em suas riquíssimas mãos em direção a Menetromikso, o Louco, Alto Mestre do Kung-fu, iniciado na Quinta Arte Mecano-Austral, protetor das Árvores Estelares, responsável pelos Assuntos Sábios da cidade de Sidartânia.

Após meia hora de caminhada pelas velhas estradas que levavam à Suprema Cúpula Draconiana, Jeremias entrou no referido local, colocou-se em uma posição heróica, e exclamou:

“Ah, Menetromikso, grande sábio das coisas eternas e das mutações, mestre na arte de presenciar elementos, subversor dos velhos paradigmas, realizador dos Eternos Momeraths, tu, que és capaz de manejar os ventos e as estações, e ainda assim não o faz, querede saber dos admiráveis e impressionantes acontecimentos que manifestaram-se ao meu olhar assombrado.”

Menetromikso, o Louco, saiu de o que aparentou ser uma diminuta caixa de temperos. “É uma de suas mais populares características”, pensou Jeremias, enquanto o Mestre do Kung-fu se aproximava.

Menetromikso parou diante de Jeremias, olhou em seus olhos e exclamou: “Ah! Espíritos de Forímbolas... quem tu pensas que és? Não sabes mesmo o que acontece entre a vida e a morte? Um reles potrevar... E acreditas ter o poder de exclamar pílulas... E não quaisquer pílulas... pílulas pequenas! Hmm... Deixa-me ver isto.” E demonstrou querer tocar no aerólito (o Supremo Aerólito, que será explicado mais adiante) que Jeremias portava em suas riquíssimas mãos. Jeremias prontamente entregou-lhe o aerólito (o Supremo Aer... bem, já sabes...) e sentiu como se um Dharma atravessasse seus vinte e quatro diafragmas.

Quando Menetromikso tocou o referido objeto, sentiu um extremo choque térmico, em toda a sua glória, e gritou: “Pelo amor de Setra! Quem é que fez isso?”. Mas Jeremias não estava mais em sua normalidade; havia entrado em um estado de transe, e dizia as velhas palavras de compaixão:

“Ja kirila mekenematsa hu melá...
Patra molomerematsa kirila nometrasá...
Kelemonopitsematsahameritsiamá...
Eteremelakenitsa putermelatsá...”

Foi então que Menetromikso entendeu que, realmente, Jeremias havia recebido dos Grandes Espíritos a suprema missão de instruir a humanidade na Arte da Criação de Forímbolas, trazendo assim a liberdade, a igualdade e a fraternidade a este mundo, permitindo a realização das forças vesperiais, sem perda de performance. Menetromikso refletiu sobre aquilo e decidiu.

O Supremo Aerólito

O aerólito que Jeremias portou ao Grande Mestre do Kung-fu Menetromikso, o Louco, não era um aerólito qualquer, desses que podemos comprar em uma banca de jornais. O referido aerólito trata-se do Supremo Aerólito, protetor das Vacas Celestes, divisor das Águas de Helena, a Soberba, fonte de tudo o que há de mais refrescante. Diz-se que este aerólito foi-nos dado por Fúlster, o Invejável, antes de tornar-se um Alto Espírito Charlatão, no intuito de rejuvenecer toda e qualquer donzela que não se pusesse em lucernas de ouro.

A questão é: como este aerólito (o Supremo Aerólito) foi chegar às mãos de Jeremias, o Iluminado? Bem, isto não cabe a nós discutir. É errado, sabes, intrometer-se na vida particular das pessoas.

A tenda e a fístula de Ketalmopano

Depois de ter compreendido tudo aquilo, Menetromikso voou mentalmente sobre a água e repousou. Isto o deixou com muito sono; por isso, resolveu pegar sua guitarra e manejá-la para produzir a perfeita secessão elementar. Jeremias entendeu muito bem o significado daquilo e foi para sua casa meditar e beber. Iniciaria uma jornada pela iluminação do ser humano, e isto não é uma coisa que se faz todos os dias. Depois de algum tempo, qualquer um perde a prática.

O que nenhum dos dois esperava era a presença de Ketalmopano em pessoa nas redondezas da Suprema Cúpula Draconiana. Ketalmopano, o Póstumo, ria-se em fúria ao ouvir o cântico proferido por Jeremias, enquanto bebia sua famosa infusão de gel em pó. Ele pertencia ao Clã de Minesota, e assim não podia permitir que Jeremias intoxicasse o povo com suas idéias merovíngias. O Clã de Minesota não era muito favorável à liberdade, à igualdade e à fraternidade. E foi assim que Ketalmopano, o Póstumo, filho de Kutrepso Mikenalapa e Maralta Veranoksa, Mantenedor das Cinco Seitas, Blasfemador de Forímbolas, Metrificador das Estrelas e dos Mundos, declarou morte a Jeremias e sua raposa (a Suprema Raposa, que será dita mais tarde).

publicado por Anarco-Absolutista às 00:00
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