Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

A Torre de Réaumur, uma espécie de Xanadu quintessencial

Inigualável forte industrioso
Engenho e arte de sutil pujança
Etéreo baluarte majestoso
Veraz sinal de boa aventurança

És tu, frondosa Torre inabalável
Supremo bastião de permanência
Magnânimo construto imperturbável
Suave projeção da sapiência

Certeza inconfundível de vitória
Sublime comoção da vida inteira
Feliz morada, copiosa em glória
Terrível, formidável, derradeira

Pilar do mundo, vigoroso e belo
Arguta geometria poderosa
És tu assim, ó Torre, qual castelo
Perfeita em todo aspecto, valerosa

Assim enunciava o celebrado fragmento da Epopéia de Sigismundo, o Próprio, antigo imperador do Lácio Transacional, reino outrora situado ao norte da Sidartânia. Quinhentos e tantos anos, se não mais, já se haviam passado desde a queda do império; a Torre de Réaumur, todavia, mantinha-se firme onde fora deixada pelos monarcas que em tempos de antanho a erigiram e habitaram. Dizem as velhas tradições que aquele que for capaz de se apoderar da Torre adquirirá maravilhosos poderes de formidáveis proporções, bem como um excelente investimento imobiliário. Todavia, rezam as mesmas tradições que a referida Torre dispõe de uma vontade própria, e aquele que a tentar tomar sem contar com a simpatia da mesma está fadado a terríveis desastres e sofrimentos.

Diz ainda a Mishnah Apócrifa Número 37 que, através do uso cauteloso de encantamentos baseados na tradição oral em torno do culto a Alenderestenankwelissa, deusa sidartaniana das bigornas, protetora das elegantes melenas folclóricas do povo de Ulmarinna, seria possível encantar o espírito da Torre, garantindo assim a aquisição máxima dos poderes da mesma.

Após a queda do império, a região no entorno da Torre foi-se tornando despovoada. Ninguém vivia ou costumava andar num raio de quinze quilômetros da Torre. Ninguém sabia exatamente por quê. A trinta quilômetros dali, os camponeses do pacato vilarejo de Izburro seguiam tranqüilamente sua rotina. Alguns poucos estavam sentindo uma estranha ansiedade. À noite, o xamã, observando atentamente o céu e sentindo o vento em seu rosto, falou quietamente para ninguém em particular: "A Torre de Réaumur está nervosa hoje."

publicado por Anarco-Absolutista às 05:09
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