Sábado, 17 de Maio de 2014

Uma frivolidade semi-arcaica

(Encontrei o que segue em um caderno velho, enquanto procurava papel de rascunho.)

Uma vez eu era um caderno. E a menina grafava furiosamente os mais ricos dizeres, sob a ortografia de 43. A nova ideologia do rei! O torpe fôlego que move o mundo! Poderia me escrever uma anarquista, mas não. Deita-me caracteres a leve mão de uma democrata. Uff!

Um dia vou ser minha própria caneta. Vou dizer tudo o que eu penso com o mais puro vigor. E ai daquele que tentar me dissuadir, ai dele! Visitar-lhe-á a própria morte.

Sou a corrente que segura a noite. Sou a fria estrela branca. Que é que eu sei dessas coisas? Eu sei da vida. A vida! A própria vida. A vida que traz e que leva, a vida que vem e que vai. Que é que há para saber? E no entanto ela se move.

Espero o ônibus sentado na vida. Se deus é a chama que se acende em partes e se apaga em partes, o ônibus é o antagonista magno do calor, é sua análise. Análise é o contrário da catálise.

Katharevousa. Eles clamitavam o nome do santo. Mal sabiam eles que o santo era um caderno.

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publicado por Anarco-Absolutista às 04:42
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Uma pequena verborragia pré-onírica

A fria concepção delgada de seu corpo era um gestalt antropomórfico, um miruvor feérico para a mente e o espírito. Seus agradáveis tons de voz, suaves como um gigantesco fole, delineavam a profunda e irrepreensível configuração cosmológica da própria existência, uma sintetização de tudo aquilo que podia ser expresso pelo cálculo lambda não-tipado. Nenhures se havia de achar silhueta de igual caráter e sinfonia, um alicerce fundacional da semântica axiomática definitiva da qual os homens são sedentos. Uma respeitável e ceruliforme potestade impérvia à vanidade mundana, uma fortaleza de magnitudes impraticáveis, um souvenir de tudo aquilo que poderia ser, revisto e ampliado pelo sangue e pela lágrima. Engenho e arte de súbitas e sutis proporções, intricados padrões interconexos pela vasta gama de sentidos polimórficos. Uma minuciosa combinação de fatores celestiais, cuja prova, auto-evidente, é aqui omitida por brevidade.

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publicado por Anarco-Absolutista às 03:36
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